Tricotar não é coisa do passado. Duas agulhas, duas mãos, muitos novelos de lã coloridas e boa vontade são itens de extrema atualidade e urgência. É assim que me esclareceu a Rose, lá de Canoas, Rio Grande do Sul. Ela dedica suas horas de folga a tricotar mantas, blusões, luvas e tocas para crianças carentes de escolas e creches públicas.
Não é a toa que ela começou a realizar este trabalho voluntário. A Rose tem um filho de 09 anos, o Eric e observou na saída da escola municipal, em um dia de frio intenso (fazia 10 graus Cº), muitas crianças insuficientemente agasalhadas. Coleguinhas do Eric, que no dia seguinte não puderam ir à aula, porque estava mais frio e provavelmente já estavam com coriza no nariz, ou dor de ouvido, ou dor no corpo. O ano tém de dois a três meses de inverno muito rigoroso no Estado. Nem escolas e nem as casas possuem qualquer espécie de calefação. Se faz 12 Graus Cº na rua, faz 13,14 ou 15graus Cº dentro de um ambiente sem aquecimento, como o da sala de aula.
Crianças extremamente carentes, que ganham ajuda do governo para o gás de cozinha, material escolar, uniforme, bolsa família para cesta básica, etc. Mas tênnis quentinho, meia de lã, blusão de lã, etc, custam caro, de fato. As roupas que são acessíveis para essa população carente poder comprar, são feitas de material sintético, mais barato e com maior mercado, pois vendem em toda região sul e sudeste do Brasil. Mercadorias provenientes da China, em sua maioria, oriundas de mão-de-obra e matéria prima barata.
Um blusão de lã verdadeira para criança custa em média R$70,00, meia de lã, R$10,00, gorro de lã R$10,00, manta de lã, R$15,00, tênnis de couro e solado de borracha R$200,00. Esses são valores para o público infantil na região metropolitana de Porto Alegre. Com 8 novelos de lã, se produz 2 blusões e 2 tocas infantis e gasta-se R$42,00 em média. A Rose, produz na medida que ganha novelos, e dos poucos que pode comprar. Distribui para as crianças com muito calor humano e amor ao que faz. É uma guerreira solitária, independente de ONGs, governo ou assistencialismo. Ela articula pelas suas demandas de lã entre os conheçidos, mães, vizinhas, amigas, de pouco em pouco agasalha o inverno das crianças pobres do Rio Grande do Sul.
